quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

GENTE QUE CORRE

Chico Buarque / Juliana Paes / Camila Pitanga / Giovanna Antonelli / Bruno Gagliasso & Giovanna Ewbank / Bruna Linzmeyer / Deborah Secco / Cauã Raymond.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

FIDEL E MANDELA

Depois que Nelson Mandela saiu da prisão, em 11 de fevereiro de 1990, o primeiro país que ele visitou foi Cuba, devido à grande cooperação do país caribenho com a luta de libertação dos negros, especialmente no sul da África, enviando soldados para Angola nas décadas de 1970-80, para combater as forças do exército do governo segregacionista da África do Sul.
Mandela foi até a ilha socialista agradecer um apoio fundamental que certamente nenhum outro país do mundo ofereceu. Além do auxílio logístico e operacional na guerra de independência angolana, a presença dos combatentes cubanos de fato acelerou o processo de queda do regime do apartheid sul-africano. 
Nesta ocasião de sua visita a Cuba, Mandela fez questão de lembrar que o povo irmão do Caribe sempre agiu altruisticamente, enviando também professores e profissionais de saúde para o esforço de resistência e reconstrução da África.

         

terça-feira, 29 de novembro de 2016

OS 60 ANOS DA EXPEDIÇÃO DO GRANMA


Foi no final de novembro de 1956 que uma expedição com 82 combatentes do "Movimento 26 de Julho" aglomerada em um pequeno iate - o famoso Granma, projetado para acomodar 12 pessoas - partiu para uma missão histórica, do em uma viagem do porto de Túxpan, no México, até a praia Las Coloradas, em Cuba.
Após navegar por vários dias em condições de carência e penúria, com uma atracagem forçada desastrosa em uma área pantanosa quase intransponível, o mini-exército de Fidel Castro foi então detectado, perseguido e metralhado por aviões da guarda-costeira, assim que chegou em solo cubano.
O grupo guerrilheiro se espalhou e foi aos poucos se desintegrando, na medida em que seus soldados eram cercados e mortos pelas tropas do Exército cubano que já os esperavam ao longo da costa. Um pelotão formado por Che Guevara, com apenas 4 homens que sobraram, subiu em direção às montanhas da Sierra Maestra para se encontrar com o grupo de Fidel, que contava com apenas 7 soldados.
         Em poucos dias, dos 82 revolucionários do Granma que zarparam do México, restaram apenas 11. Assim começava a Revolução Cubana, que triunfaria 2 anos depois.
"Nuestra grandeza a veces no se ve, porque es invisible para algunos, no se transa, porque no tiene valor comercial, no se esconde, porque es digna y pura. Pero, sí, se siente: en los pueblos liberados, en los enfermos atendidos y mejorados, en las personas alfabetizadas y educadas, en el deportista formado, en el artista expuesto. Y también la sienten nuestros enemigos. Y la sienten tanto que todos los días han estado presente los planes para acabar con esta grandeza. Esa es la razón por las cuales nos odian, por la idea que representamos, por el ejemplo que hemos dado. Hemos demostrado que con fuerza de voluntad y coraje, otro mundo, sí, es posible" 
(Fidel Castro).

quinta-feira, 28 de julho de 2016

MINHA CRENÇA

É uma bênção especial pertencer entre aqueles que podem dedicar suas melhores energias para a contemplação e exploração de coisas objetivas e atemporais. Quão feliz e grato eu sou por ter recebido essa bênção, que dá um grande grau de independência em relação ao destino pessoal de alguém e a atitude de seus contemporâneos. No entanto, essa independência não deve nos habituar à consciência dos deveres que constantemente nos prendem ao passado, presente e futuro da humanidade em geral.
Nossa situação na terra parece estranha. Cada um de nós aparece aqui, involuntariamente e sem ser convidado, para uma estadia curta, sem saber o porquê e para quê. Em nossa vida diária sentimos apenas que o homem está aqui para o bem dos outros, para aqueles a quem amamos e por muitos outros seres cujo destino está ligado com o nosso. Muitas vezes me perturba a ideia de que a minha vida é baseada em grande parte no trabalho dos meus companheiros seres humanos, e estou ciente da minha grande dívida para com eles.
Eu não acredito no livre-arbítrio. Palavras de Schopenhauer: “O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer”, me acompanham em todas as situações ao longo de minha vida e me reconciliam com as ações dos outros, mesmo que elas sejam bastante dolorosas para mim. Esta consciência da falta de livre arbítrio me impede de levar a mim mesmo e aos meus colegas muito a sério como indivíduos de ação e decisão, e de perder o meu temperamento.
Nunca cobicei riqueza e luxo e até mesmo os desprezo de certa forma. Minha paixão pela justiça social muitas vezes me levou a um conflito com as pessoas, assim como a minha aversão a qualquer obrigação e dependência que eu não considero absolutamente necessárias. Eu tenho um grande respeito pelo indivíduo e uma aversão insuperável pela violência e o fanatismo. Todos estes motivos me fizeram um pacifista apaixonado e antimilitarista. Sou contra qualquer chauvinismo, mesmo sob o disfarce de mero patriotismo.
Privilégios com base na posição e propriedade sempre me pareceram injustos e perniciosos, assim como qualquer culto exagerado à personalidade. Eu sou um adepto do ideal da democracia, embora eu saiba bem as fraquezas da forma democrática de governo. A igualdade social e a proteção econômica do indivíduo sempre me pareceram os objetivos comuns importantes do estado.
Embora eu seja um solitário típico na vida diária, a minha consciência de pertencer à comunidade invisível daqueles que lutam pela verdade, beleza e justiça me impede de me sentir isolado.
A experiência mais bela e mais profunda que um homem pode ter é o sentido do mistério. É o princípio fundamental da religião, bem como de todo esforço sério na arte e na ciência. Aquele que nunca teve essa experiência parece-me que, se não está morto, então, está pelo menos cego.
Perceber que por trás de tudo o que pode ser experimentado há uma coisa que a nossa mente não pode compreender, cuja beleza e magnificência nos alcança apenas indiretamente: isso é religiosidade. Neste sentido, sou religioso. Para mim, basta questionar estes segredos e tentar humildemente entender com a minha mente uma mera imagem da estrutura elevada de tudo que existe.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O PERCURSO

                  

A escolha do terreno ideal é muito importante nos treinos de corrida de rua. É necessário ter o conhecimento prévio das condições do piso e do fluxo de pessoas e veículos em cada passagem do percurso, para poder praticar o exercício com segurança e tranqüilidade.
O condicionamento físico de cada corredor vai definir naturalmente o nível de intensidade nos treinamentos e a extensão do trajeto a ser percorrido. Na escolha do percurso é preciso conciliar a necessidade técnica do desempenho de cada atleta com a possibilidade física do terreno, além, é claro, do aspecto prazeroso de um caminho tranquilo em uma paisagem bonita e agradável.
A evolução do corredor vai depender da sua determinação e do seu propósito em cumprir um projeto de longo prazo, praticamente como se fosse um projeto de vida. Quanto mais aumentam as distâncias percorridas, mais o atleta ficará adaptado a percorrer distâncias ainda maiores.
É preciso ter muita persistência e força de vontade para manter a periodicidade e o ritmo dos treinos. Os percursos irão aumentando na medida em que o próprio corpo sente vontade de prosseguir. Independente do seu nível de treinamento, o corredor precisa sempre estar atento a vários fatores do percurso, prevenindo-se de buracos na rua e prevendo a possibilidade de movimentos inesperados nas proximidades das esquinas e dos portões.
O ideal é ter como modelo de treinamento as distâncias das provas oficiais de Atletismo para corridas de fundo e meio-fundo, partindo de 1,5 mil metros, passando para 3 mil, depois 5 mil, até chegar aos 10 mil metros. Assim você pode idealizar um percurso adequado, estabelecendo os parâmetros do trajeto a ser percorrido, com o firme propósito de aumentar as distâncias percorridas ao longo dos treinamentos.
É importante repetir o treino de uma mesma distância várias vezes, aumentando a velocidade para diminuir os tempos da corrida. A necessidade de aumentar a velocidade também vai surgindo aos poucos, na medida em que o atleta vai acumulando o condicionamento ideal. Quando o corredor atinge o percurso dos 10 mil metros, por exemplo, deve insistir nos treinos nessa mesma distância, procurando aumentar cada vez mais a velocidade, antes de partir para percursos mais longos, como a Meia Maratona e a Maratona
Para melhorar a resistência nos longos percursos, o corredor precisa experimentar vários tipos de terrenos, com pisos variados (asfalto, cimento, terra, grama, areia etc) e diferentes níveis de inclinação, alternando os treinos entre percursos planos mais velozes e percursos com inclinações leves e acentuadas. Evite o desgaste psicológico nos percursos íngremes e não pense muito na inclinação, nem fique olhando diretamente para o final da subida.
Tenha cuidado com as suas articulações nas descidas acentuadas. Os principais problemas físicos acontecem com os joelhos e os tornozelos, que precisam sustentar o peso do corpo na descendente. O corredor deve diminuir o ritmo e inclinar ligeiramente o corpo para trás. Os braços devem ficar mais parados e os cotovelos um pouco afastados do corpo, criando uma espécie de "asa", que ajuda no equilíbrio.
Esse momento de menor esforço na descida pode servir para o atleta respirar mais fundo, relaxar um pouco a musculatura e observar a paisagem, até atingir novamente o terreno plano e retomar o ritmo normal da corrida. O tempo e o ritmo dos treinos vai depender muito da inclinação do terreno e do clima. Nos percursos planos o ritmo, além de veloz, é constante, causando grande variação em relação aos tempos nos percursos inclinados. O aumento do calor também é um fator que causa uma sensível diminuição na velocidade da corrida.
Os corredores amadores não gostam muito de treinos na pista tradicional de Atletismo, embora isso também possa ser divertido. Como o piso da pista é mais veloz do que na rua, existe um risco maior de que treinos constantes com corridas mais rápidas possam ocasionar algum tipo de lesão, caso o atleta não esteja bem preparado e aquecido. 
Para os corredores profissionais que praticam a corrida de rua em alto nível, a pista de Atletismo é muito recomendada. Na rua, é interessante começar o treino com um ritmo mais leve, até atingir um bom aquecimento do corpo. É o tempo necessário para sair do trânsito urbano e alcançar áreas mais livres, para assim correr com maior desenvoltura. 
          E, no final da corrida, muita atenção: não deixe que o cansaço do treino ou o entusiasmo de um sprint prejudiquem sua concentração quanto a eventuais obstáculos na rua, cuidando sempre da sua segurança em primeiro lugar!

quarta-feira, 27 de abril de 2016

POMPÉIA, O GOLEIRO VOADOR

Sou torcedor do América F.C. do Rio de Janeiro desde pequeno e isso quer dizer muita coisa para quem começa 2013 com 64 anos. Posso dizer que sou americano de coração, embora isso pareça anacronismo para as gerações de hoje, que olham para os times do Rio e só veem Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco. Mesmos alguns antigos torcedores do mequinha deixaram de lado as tradições do pavilhão rubro, abdicaram de sua história e bandearam-se para um dos grandes do Rio.
Minha atenção para o América veio de meu pai. Nos domingos, lá em Vila Isabel, meu pai e meu tio disputavam, quase a tapa, eu e meu irmão. Eu recebi, de meu pai, o uniforme do América, comprado na Superball e meu irmão, de meu tio, o do Vasco. No quintal brincávamos de América e Vasco, o clássico da paz, assim denominado por ter selado a pacificação no futebol carioca em 1937.
Mais tarde, já com oito anos, levado por meu pai, via os jogos do América no estádio da Rua Campos Sales. Sentia-me importante sentado na arquibancada junto com aquele mar de camisas vermelhas. Olhava com aflição e atenção os jogos. Notava a elegância de Amaro, a velocidade de Nilo, a classe de João Carlos. E o que falar da emoção dos gols de cabeça de Quarentinha, da calma de Djalma Dias ao desfazer, dentro da área, as jogadas dos adversários?
Mas quem mais me impressionava era o goleiro. Diferente do restante do time, que usava a camisa vermelha e o calção branco, Pompéia se vestia de negro ou de cinza e trazia no peito o escudo do mequinha. Era esguio, alto, de uma flexibilidade ímpar. Sua elasticidade chamava a atenção. Eu não tirava os olhos dele, entusiasmado com os seus voos, as suas defesas mirabolantes que levaram o narrador esportivo Waldir Amaral a apelidá-lo de Constellation. Outros apelidos se seguiram: Ponte Aérea, Caravelle, Fortaleza Voadora. Todos cabiam como uma luva naquele homem simples, nascido em Itajubá, Minas Gerais.
Esse extraordinário goleiro iniciou carreira no circo, onde desenvolveu sua capacidade de impulsão, experiência que deu a ele a condição de ser um goleiro acrobático. Suas defesas mexiam com a plateia e mereceram de Nelson Rodrigues uma crônica em um América e Bangu:
“Foi, então, que surgiu Pompéia, como uma bastilha inexpugnável. Pompéia! Eis o que o América tem e os outros clubes, não: − um Pompéia. Que bela e emocionante figura! É o goleiro mais plástico, mais elástico, mais acrobático do mundo. Nada tem de simples: − ele complica tudo. Em primeiro lugar, não sabe defender sem um salto ou, mais do que isso, sem um vôo. Pompéia voa, amigos. Pompéia voa! E enfeita, dramatiza, dinamiza tanto suas intervenções que o público tem a sensação de que todas as suas defesas foram geniais. (...) Ele é o espetáculo”.
O apelido Pompéia vem da sua infância. Desatento aos estudos, gostava mesmo era de desenhar e o fazia bem, colocando no papel os personagens Popeye e Olívia Palito. Os colegas que viam os desenhos passaram a chamá-lo de Pompéia, pela dificuldade de pronunciar o nome do marinheiro. Pompéia nasceu José Valentim da Silva, em 27 de setembro de 1934, dia de São Cosme e Damião.
Iniciou sua carreira esportiva como centroavante no clube Itajubá, time composto de funcionários de uma fábrica de material bélico que participava do campeonato da Segunda Divisão mineira. Mais tarde, se transferiu para outro clube da cidade, o São Paulo, ainda como centroavante. Em um jogo em Três Pontas, o goleiro do São Paulo adoeceu e Pompéia foi escalado no gol. Saiu-se tão bem que chamou a atenção de todos, foi a grande sensação do jogo. Mais tarde, numa partida contra o Bonsucesso do Rio, o goleiro titular do São Paulo entusiasmou a todos, inclusive ao juiz da partida, também olheiro dos times do Rio, que convidou-o para treinar no Bonsucesso e jogar na Cidade Maravilhosa.
Atraído pelo convite, o goleiro não pestanejou e decidiu ir para o Rio. Apresentou-se em Teixeira de Castro e assinou seu primeiro contrato profissional em abril de 1953. No ano seguinte, transferiu-se para o América, onde permaneceu por 11 anos. Seu aprendizado da profissão foi feito com a ajuda do seu primeiro técnico. Alfinete, técnico do Bonsucesso, levava-o para assistir aos jogos do Vasco e do Fluminense, para ver Barbosa e Castilho atuarem. Mas não copiou o estilo de nenhum deles. Construiu um perfil próprio, no qual a estética das defesas se sobrepunha às dificuldades dos chutes. Em qualquer bola desenhava uma cena entre o belo e o rocambolesco, lançando-se sobre a bola de maneira espetacular. Para uns, era presepeiro, para outros, excelente goleiro.
Quando estava no seu dia, tomava conta do espetáculo e não tinha para ninguém, fazia das tardes de domingo o seu momento de fama e os comentários das resenhas do dia seguinte eram elogiosos. Com a estética do goleiro criada por ele, deixou como herança uma jogada, a ponte aérea. O nome vinha da novidade da época que era a ponte aérea entre Rio e São Paulo. Inventada por ele, hoje se tornou em jogada comum dos goleiros. Essa é apenas uma das contribuições de Pompéia. Porém, mais importante do que isso é a construção de uma nova forma de agarrar no futebol, trazendo para as partidas momentos de comédia de arte ou de tragédia cômica, subvertendo a forma tradicional de comportamento dos goleiros e alegrando a plateia, que ria e sofria com seus voos.
Essa marca particular de Pompéia levou-o à consagração como goleiro titular do América Futebol Clube (campeão carioca de 1960), atuando também como titular, em 1957, pela seleção carioca. 
Pompéia chegou à seleção brasileira, quando a CBD montou um combinado para defender o Brasil em jogos contra seleções sul-americanas. 
Diversas vezes ficava patente o racismo, quando se associava sua elasticidade a dos macacos.
Em seu primeiro jogo pelo América já despertou entusiasmo. O América jogava um torneio quadrangular em Lima, no Peru, do qual também participa o Santos de São Paulo e, no jogo final entre os dois clubes, Pompéia defendeu um pênalti batido por ninguém menos que Pepe, que assustava com a potência de seu chute todos os goleiros. Com essa apresentação de gala passou a dividir o gol do mequinha com Ari em diversas jornadas, mas sendo o titular em 16 das 22 partidas disputadas pelo América no campeonato de 1960.
Seu nome era dito, cantado, anunciado nas bancas da cidade nas segundas e sua estética de goleiro ganhou fama. Vários pompéias surgiram no Brasil e seus voos levaram-no longe. Jogou no Porto de Portugal e em vários clubes da Venezuela. E foi na Venezuela que terminou sua carreira de goleiro esteta. 
Em 1969, num jogo entre o seu clube, o Desportivo Português, e o Real Madrid, depois de agarrar um chute difícil, que no rebote a bola foi novamente chutada contra a sua cabeça, perdeu uma de suas vistas, deixando a outra também prejudicada. O chute foi dado por ninguém menos que Di Stefano. Com isso, teve que abandonar o futebol.
Com a impossibilidade de continuar a atuar, Pompéia perdeu a alegria. Seu colega Amaro ainda tentou levá-lo para o Bonsucesso como preparador de goleiros, mas nada mais deu certo na vida do grande Constellation. Na rua da amargura, sozinho e perdido, voltou-se para a bebida e morreu em maio de 1996, em um quarto de um manicômio, olhando para uma bola.
Amargou na vida e na morte a sina dos goleiros, ditada na célebre máxima de autoria desconhecida: “o goleiro é tão maldito que onde ele joga não nasce nem grama”.


*Antônio Edmilson Rodrigues 
(Publicado na Revista Carta Maior em 2013).